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Jonas: O Circo e o Cinema

Fui assistir recentemente ao filme Jonas e o Circo sem Lona, um longa-metragem da cineasta baiana Paula Gomes. É um filme muito que narra a história de Jonas, um menino de 13 anos que sonha em ser artista de circo. Ele, assim como a sua mãe e avó, atuava no circo do tio dele. A ideia de ter seu próprio circo fez com que Jonas se juntasse aos amigos e, no quintal de sua casa, começasse a ensaiar e se apresentar para as crianças do bairro. É um filme que nos faz pensar nos sonhos que alentamos quando crianças e que as dificuldades da vida muitas vezes quando não impedem a sua realização torna o caminho mais doloroso.
O filme traz uma série de provocações no plano da linguagem cinematográfica. Ele rompe com a quarta parede, fazendo com que os atores lancem o olhar diretamente para a plateia, envolvendo-a e chamando-a para um compromisso, uma reflexão e uma transformação. É um filme que nos emociona em razão do uso desses recursos cinematográficos.
Por ser um documentário, o filme usa…
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VALENTE E O DESTINO DE UMA MULHER

É impossível não gostar de Merida, uma jovem escocesa ruiva que muito cedo aprendeu a gostar de viver sem as regras de bom comportamento feitas para as mulheres. Ela encontrava mais prazer em atirar flechas, montar cavalo, enfim viver uma vida fora das tarefas domésticas. O seu pai a estimulava a ser livre, contrariando a mãe que a queria casada. Merida não pensa em se casar, e o filme também não aponta para o que ela poderia ser, na verdade compete a ela traçar um outro caminho que ela não sabe ainda qual será, mas está convicta que não será o mesmo trilhado pelas mulheres que a antecederam.
A mãe de Merida não consegue entender isso e exige da jovem que se case. O conflito chega a uma situação limite que a jovem parte em busca de um feitiço que faça a sua mãe mudar de ideia. O feitiço acaba transformando a mãe em um urso, o maior inimigo dos clãs da região.
O processo que é mostrado para o espectador é uma árdua aprendizagem entre mãe e filha e ambas passam a se conhecer fora dos mur…

O LEGADO DE NORA EPHRON

'You look at a list of directors and it's all boys"*   (Nora Ephron)
*Você olha para a lista de diretores e são todos homens.
Nora Ephron sabia que a indústria cinematográfica era machista, e nos EUA não seria diferente. Antes de ser diretora, Ephron roteirizou filmes dramáticos, como Silkwood: O Retrato de uma Coragem, de 1983. Os anos 80 serão profícuos para as mulheres que viveram a maturidade nestes anos, pois a visão que elas têm naquele momento são reverberações dos movimentos sociais, sobretudo feminista, dos anos 60/70. Assim, neste clima de contestação, essa novaiorquina escreveu a história de uma mulher, vivida pela atriz Meryl Streep, (com quem se encontraria novamente em Julia e Julie, em 2009), uma mulher, funcionária de uma fábrica de componentes nucleares em uma pequena cidade do interior dos EUA. Ela passa a ser representante sindical e luta por melhores condições de saúde e de trabalho para os funcionários da fábrica. Durante todo os anos 80, Norah Ephron se…

Três filmes, Três diretoras

Nesta semana, três filmes dirigidos por mulheres estão em cartaz:

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée), 2012,  drama francês de Valérie Donzelli.

Como Agarrar Meu Ex-namorado (One for the Money), 2012, comédia norte-americana de Julie Anne Robinson.

Hotxuá (Hotxuá), 2012, um documentário brasileiro de Letícia Sabatella.
O documentário tem atraído as mulheres do cinema brasileiro, mas o acesso ao produto do ponto de vista comercial é dificultoso. Os dvds custam duas ou três vezes mais do que a ficção. Os filmes considerados de arte também são mais caros do que os comerciais, o que favorece a formação de espectadores para uma estética própria desses filmes, mais próximos da linguagem televisiva. Isso sem contar com as cópias mal feitas, que travam no meio do filme, muitos com problema de série. A mídia para blu-ray só não elimina o DVD porque ainda é cara, mas em compensação, o fato é que depois do blu-ray, os DVDs nunca mais foram os mesmos.
São três filmes diferentes, pertenc…

CINECLUBE DA UNEB - CINEMA E MULHER

A abertura do cineclube da UNEB, do setorial Cinema e Mulher, não trará uma diretora, mas um diretor. Trata-se do filme documentário ATABAQUES NZINGA, de Octávio Bezerra, filme de 2007.

A ficha técnica é formada por:

Título Original: Nzinga.
Origem: Brasil, 2007.
Direção: Octávio Bezerra.
Roteiro: Rose La Creta.
Produção: Ana Giannasi e Rose La Creta.
Fotografia: Hélio Silva e Guerrinha.
Edição: Sueli Nascimento.
Música: Naná Vasconcelos.
Por esta relação, vemos que o filme foi roteirizado por uma mulher, Rose de La Creta, e produzido por duas, Ana Giannasi e a própria Rose de La Creta. Além de contar com a edição de outra mulher, Suely Nascimento. A ficha apresenta um equilíbrio de gênero ao trazer a mesma quantidade de mulheres e homens em sua produção. Mas a minha escolha para esta primeira exibição deu-se por ser um dos poucos film…

As Ladies Marian em duas versões de Robin Hood

Mesmo quando o filme traz um homem na figura central da trama, não deixo de observar como as mulheres são vistas pelos seus roteiristas e diretores.
Uma personagem instigante é Lady Marian que aparece nos filmes como par romântico de Robin Hood. A literatura mostra que nem sempre foi constante a forma de representar esta personagem e isto pode ser perceptível quando tomamos dois filmes recentes sobre o legendário arqueiro. Uma das versões é a de Kevin Reynolds (1991) Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves) que traz  Mary Elizabeth Mastrantonio como a atriz que desempenha o papel de Lady Marion. A sua primeira aparição no filme já mostra um conflito de gênero quando luta com Robin Hood (Kevin Costner) inicialmente com a espada e depois no corpo-a-corpo, quando é vencida. Neste momento, ela está usando uma armadura preta. Com a presença de Robin Hood, Lady Marion vai perdendo este ar mais agressivo e tornando-se dependente da proteção dele. Robin já havia prome…

Ex Terminadora (ExTerminators, 2009)

Quem assina a direção desta comédia é um diretor, mas o roteiro é de Suzanne Weinert. O título nos leva a pensar no que essas mulheres exterminam e a começar pela capa do DVD vemos que se trata de um ajuste de contas entre mulheres e agressores.
Tudo começa quando uma delas Alex (Heather Graham) é demitida do emprego pelo chefe que em tom cerimonioso e ao mesmo tempo jocoso a despede. Ao chegar mais cedo em casa, encontra o marido com outra mulher mais jovem que a trata por cunhada, supondo que o marido a tivesse apresentado como irmã. Para dissipar a sua angústia, atira-se ao consumo e na disputa por uma blusa acaba socando um homem que comprava a mesma peça para a namorada. A justiça decreta sessões de terapia coletiva quando Alex conhece um grupo de mulheres que foram agredidas, usurpadas por seus namorados, chefes ou maridos.
Nestes encontros, Alex conhece Stella (Jennifer Coolidge), dona de uma empresa de extermínio de animais nocivos herdada de seu avô. Stella, infeliz no casamen…